O que é câncer?

Definição de Câncer

É nosso dever desmitificar o câncer, que deve ser encarado com respeito, já que é uma patologia que impõe sofrimento para milhares de pessoas no Brasil.
Podemos definir o câncer como uma doença que apresenta como característica principal o crescimento de forma desordenada de células aberrantes do nosso organismo. Há, como consequência, a formação de uma massa de células e tecidos chamada de tumor ou nódulo. Essas células têm a capacidade de invasão de outras estruturas e de migração através da corrente sanguínea para outros lugares do organismo.
O câncer também é chamado de Neoplasia ou Tumor Maligno.
Dentre os fatores carcinogênicos, existem os fatores biológicos que são alterações genéticas causadas por infecções virais ou bacterianas que podem levar ao desenvolvimento de câncer.

O que causa o câncer?

Hoje nós sabemos que a causa não é apenas uma, mas, sim, multifatorial. Dentre os fatores que podem levar ao desenvolvimento do câncer estão:
• Fatores biológicos, que são alterações genéticas causadas por infecções virais ou bacterianas;
• Hepatite B ou C – câncer de Fígado, HPV ou Papiloma-vírus – câncer de útero e pênis – EBV ou Epstein Baar – Linfoma de Burkitt e câncer de Nasofaringe, HelicobacterPylori – câncer de estômago;
• Os agrotóxicos, cujo acúmulo em glândulas e órgãos e no sangue podem causar mutações genéticas acarretando no desenvolvimento de câncer de mama, ovário, próstata entre outros;
• Os hábitos alimentares, através de uma dieta pobre em verduras, legumes, cereais e frutas e rica em frituras e gordura, o que aumenta o risco de diversos tipos de câncer como mama, intestino, fígado;
• Tabagismo e Alcoolismo, cujo consumo em excesso está relacionado ao desenvolvimento de câncer de pulmão, laringe, boca, bexiga, estômago;
• Exposição ao Sol, que de forma prolongada pode levar a câncer de pele, como o Melanoma, um tipo grave de tumor maligno de pele;
• Os poluentes atmosféricos provenientes da fumaça de carros, ônibus, caminhões e químicos de tintas e vernizes, que podem levar ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Atualmente, é possível a prevenção primária. Isto significa prevenir a ocorrência de alguns tipos de neoplasias malignas, bem como, a prevenção secundária, que é o diagnóstico precoce de quase todas as neoplasias malignas, Leucoses e Linfomas.

Tipos mais comuns de câncer

Tumor de pele melanoma e não-melanoma (adaptado)

O câncer não-melanoma é o mais frequente no Brasil e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país. O câncer de pele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos, sendo relativamente raro em crianças e negros.
O câncer de pele melanoma cutâneo é um tipo de tumor que tem origem nos melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele) e tem predominância em adultos brancos.

Próstata

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens. Muitas vezes a doença é assintomática ou os sintomas podem ser similares ao crescimento benigno da próstata (dificuldade miccional, freqüência urinária aumentada à noite). Em fases mais avançadas da doença, dor óssea, sintomas urinários ou mesmo insuficiência renal podem ocorrer.

Mama

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, com 22% dos casos novos a cada ano. Segundo tipo mais frequente no mundo. O tempo de crescimento do câncer de mama pode variar não sendo palpável no estágio inicial, muitas vezes.

Pulmão

É o mais comum de todos os tumores malignos. Está associada ao consumo de cigarro em 90% dos casos. Os sintomas mais comuns são a tosse e o sangramento pela via respiratória. Além disso, pneumonia de repetição pode, também, ser a apresentação inicial da doença.

Colo de útero

O câncer do colo do útero demora muitos anos para se desenvolver. O exame preventivo (conhecido também como Papanicolaou) pode identificar as alterações das células que levam ao câncer e sua realização periódica é importante. A infecção pelo HPV ou Papiloma-vírus humano e alguns subtipos de alto risco do HPV são fatores de risco. Atualmente já está disponível a vacinação contra o HPV.

Cólon de Reto

O câncer colorretal é tratável e, na maioria dos casos, curável, quando detectado precocemente. Os pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso, são geralmente as alterações iniciais que levam ao câncer colorretal. Uma maneira de prevenir o aparecimento dos tumores seria a detecção e a remoção dos pólipos antes de eles se tornarem malignos. Por isso, é recomendado a Colonoscopia a partir dos 50 anos de idade como prevenção.

Estômago

O câncer gástrico apresenta três tipos histológicos: adenocarcinoma (95% dos tumores), linfoma (3% dos casos), e leiomiossarcoma. O pico de incidência ocorre por volta dos 70 anos de idade principalmente em homens. No Brasil, esses tumores aparecem em terceiro lugar na incidência entre homens e em quinto, entre as mulheres.

Direitos do paciente

Imposto de Renda

O imposto de renda é um tributo que incide sobre determinados ganhos provenientes do trabalho assalariado e de outras atividades econômicas, empresariais e financeiras. Salvo exceções previstas em lei, o imposto de renda incide, inclusive, sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão e reforma.
Pacientes com câncer ou com outras doenças consideradas graves têm direito à isenção do imposto de renda sobre os valores recebidos a título de aposentadoria, pensão ou reforma, inclusive as complementações recebidas de entidades privadas e pensões alimentícias, mesmo que a doença tenha sido adquirida após a concessão da aposentadoria, pensão ou reforma.
O paciente deve procurar o órgão responsável pelo pagamento da sua aposentadoria, pensão ou reforma (INSS, União, Estado ou Município) e requerer a isenção do imposto de renda que incide sobre esses rendimentos. Devem ser apresentados os seguintes documentos:
Requerimento de isenção de Imposto de Renda
Laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (de preferência vinculado à própria fonte pagadora), com as seguintes informações:
• Diagnóstico expresso da doença.
• Estágio clínico atual da doença/paciente.
• Se possível, data inicial da manifestação da doença.
• CID – Classificação Internacional de Doenças.
• Data, nome e CRM do médico com a devida assinatura.
• Exames que comprovem a existência da doença.

Observação: O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.

FGTS

Todos os trabalhadores com carteira de trabalho assinada possuem conta bancária própria vinculada ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), atualmente administrado pela Caixa Econômica Federal. Mensalmente, o empregador é obrigado a depositar nessa conta o equivalente a 8% sobre a remuneração do empregado. O saldo dessa conta é corrigido monetariamente com base nos parâmetros da poupança e capitalizado a juros de 3% ao ano.
Dentre outros casos previstos em lei, o saque do FGTS pode ser realizado pelo paciente com câncer, AIDS e em estágio terminal de outras doenças. Também pode ser sacado pelo titular da conta que possuir dependente – esposo(a), companheiro(a), pais, sogros, filho e irmão menor de 21 anos ou inválido – portadores dessas doenças.
Documentos necessários para solicitar o saque do FGTS:
• Carteira de Trabalho, exceto quando se tratar de diretor não empregado ou em caso de apresentação de outro documento que comprove o vínculo empregatício.
• Documento de identificação do trabalhador ou diretor não empregado.
• Cartão Cidadão ou número de inscrição PIS/PASEP ou Inscrição de Contribuinte Individual junto ao INSS para o doméstico não cadastrado no PIS/PASEP.
• Atas das assembléias que deliberaram pela nomeação e pelo afastamento do diretor não empregado; cópia do Contrato Social e respectivas alterações registradas no Cartório de Registro de Títulos e Documentos ou na Junta Comercial, ou ato próprio da autoridade competente publicado em Diário Oficial. Os documentos devem ser apresentados em via original e cópia, para confronto e autenticação no ato do recebimento, ou por meio de cópia autenticada.

Atestado médico com validade de 30 dias contendo as seguintes informações:
– Diagnóstico expresso da doença;
– Estágio clínico atual da doença/paciente;
– CID – Classificação Internacional de Doenças;
– Data, nome, carimbo e CRM do médico com a devida assinatura;
Sugestões de texto: “Paciente sintomático para a patologia classificada sob o CID________”; ou “Paciente acometido de neoplasia maligna, em razão da patologia classificada sob o CID________”; ou “Paciente acometido de neoplasia maligna nos termos da Lei nº. 8.922/94”, ou “Paciente acometido de neoplasia maligna nos termos do Decreto nº. 5.860/2006”;
• Cópia do laudo do exame histopatológico ou anatomopatológico que serviu de base para a elaboração do atestado médico.
• Comprovante de dependência, no caso de saque para o dependente do titular da conta acometido por neoplasia maligna (câncer).
• Atestado de óbito do dependente, caso este tenha vindo a falecer em consequência da moléstia.

Auxílio Doença

É um benefício mensal devido ao segurado pela Previdência Social (INSS) que, por mais de 15 dias, ficar incapacitado temporariamente para o trabalho em virtude de doença ou acidente.
O paciente com câncer, segurado pela Previdência Social, tem direito ao auxílio-doença, desde que fique temporariamente incapacitado para o trabalho.
A constatação da incapacidade dá-se por meio de perícia médica realizada pela Previdência Social. Não tem direito ao auxílio-doença quem, ao se filiar à Previdência Social, já tiver doença ou lesão que geraria o benefício, a não ser quando a incapacidade resulta do agravamento da enfermidade.
Via de regra, para ter direito ao benefício, o trabalhador precisa contribuir para a Previdência Social por, no mínimo, 12 meses. Todavia, o cumprimento do período de carência deixa de ser exigido em caso de acidente do trabalho, bem como quando a incapacidade estiver relacionada às seguintes doenças: tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, neoplasia maligna (câncer), cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante), AIDS, contaminação por radiação, hepatopatia grave, fibrose cística (mucoviscidose).
Para obter o benefício, o paciente, segurado pela Previdência Social, deve comparecer, pessoalmente ou por intermédio de um procurador, a uma Agência da Previdência Social, preencher requerimento próprio, apresentar a documentação exigida e agendar realização de perícia médica. O auxílio-doença também pode ser requerido via Internet no site da Previdência Social ou pelo telefone gratuito 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Documentos necessários: a documentação exigida para análise do pedido de auxílio-doença dependerá da categoria na qual o segurado está registrado na Previdência Social. Essa informação está disponível no site da Previdência Social. Para os empregados com carteira de trabalho assinada – a grande maioria dos trabalhadores – os documentos exigidos são:
• Carteira de Trabalho original ou documentos que comprovem a contribuição à Previdência Social.
• Número de Identificação do Trabalhador – NIT (PIS/PASEP);
• Relatório médico original com as seguintes informações: diagnóstico da doença, histórico clínico do paciente, CID (Classificação Internacional de Doenças), eventuais sequelas provocadas pela doença, justificativa da incapacidade temporária para o trabalho. O relatório deve conter data, assinatura, carimbo e CRM do médico.
• Exames que comprovem a existência da doença.
• Procuração, se for o caso.

IPI – O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)

É um tributo federal, que incide sobre a fabricação dos produtos produzidos no território nacional, a exemplo dos automóveis.
As pessoas com deficiência física, visual, mental severa, profunda ou autistas, ainda que menores de 18 anos, poderão adquirir, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, com isenção do IPI, automóvel de passageiros ou veículos de uso misto, de fabricação nacional.
O paciente com câncer pode se beneficiar dessa isenção quando possuir alguma das deficiências acima mencionadas.
O benefício só poderá ser usufruído uma vez a cada 2 anos, sem limite do número de aquisições. Antes desse prazo é necessário obter autorização do Delegado da Receita Federal e o imposto só não será devido se o veículo for vendido a outra pessoa com deficiência.
O interessado deverá apresentar requerimento de isenção de IPI ao Delegado da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat), munido dos seguintes documentos:
• Cópia do RG e da CNH do requerente e/ou dos motoristas autorizados.
• Laudo de Avaliação, emitido por prestador de serviço público de saúde ou conveniado do Sistema Único de Saúde (SUS). Normalmente esse laudo é feito por peritos do próprio DETRAN.
IPVA – O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)
É um tributo estadual, que incide, como o próprio nome indica, sobre a propriedade de todo e qualquer veículo automotor, como: automóveis de passageiros, aeronaves, motos, caminhões e embarcações.
Cada Estado possui legislação própria regulamentando a matéria. Por isso, o primeiro passo é verificar na legislação do seu Estado quais as hipóteses previstas para obter a isenção do IPVA. Muitos Estados preveem a isenção do IPVA para os veículos destinados ao uso de pessoas com algum tipo de deficiência, podendo se enquadrar nessa condição o paciente com câncer com deficiência ou mobilidade reduzida. Essa informação pode ser obtida nos DETRANs e nas Secretarias Estaduais da Fazenda. As concessionárias e revendedoras de veículos também costumam orientar seus clientes quanto à possibilidade de usufruir do benefício tributário e de como proceder para tal.
De acordo com a legislação tributária, aquele que recolheu imposto indevidamente poderá pleitear sua restituição retroativa aos últimos 5 anos. Assim, se o beneficiário desse direito puder provar que já preenchia os requisitos legais para obter a isenção do IPVA poderá pedir a restituição do valor pago indevidamente (até os 5 anos anteriores à data do requerimento da restituição).
Legislação
Lei 5.172, de 25/10/1966 (arts. 165, I, e 168) – Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios.
Legislações Estaduais: Rio de Janeiro: Lei n.º 2.877, de 22/12/1997 (art. 5°, V).

Sobre o tratamento

Finalidades do Tratamento oncológico

Curativo: visa o controle completo do tumor (cura).
Adjuvante: é realizado após a cirurgia curativa, com o intuito de eliminar células malignas residuais.
Neoadjuvante: é a aplicação do tratamento antes da cirurgia ou radioterapia. Busca-se a redução parcial do tumor para facilitar tratamento local posteriormente. E proporciona a avaliação da resposta tumoral às medicações utilizadas.
Paliativa: objetiva melhorar a qualidade de vida e/ou aumentar a sobrevida dos pacientes.

Vias de administração da quimioterapia

Via oral: pela boca em forma de comprimido ou cápsulas.
Via endovenosa: a medicação é administrada em veia periférica (braço) ou veia central através de um dispositivo chamado de cateter totalmente implantado.
Via intramuscular: a medicação é administrada no músculo.
Via subcutânea: a medicação é administrada no tecido subcutâneo.
Tópico: na forma de loções ou gel, são aplicados na superfície da pele.
Intratecal: a medicação é aplicada no líquido da espinha.
Intravesical: a medicação é instilada para o interior da bexiga através do cateterismo vesical (sonda).

Ciclos da quimioterapia

O curso do tratamento quimioterápico pode durar de 3 a 6 meses. Geralmente é feita a realização de 4 a 8 ciclos de tratamento. Cada ciclo é constituído do período do momento da aplicação da quimioterapia mais o período de repouso antes do próximo tratamento.
O número total de ciclos e o intervalo entre os mesmos dependem de cada protocolo quimioterápico. Este intervalo corresponde ao tempo necessário para recuperação da medula óssea e da mucosa do tubo digestivo. Os ciclos podem ser a cada 21 dias, 28 dias, semanais ou quinzenais, dependendo do protocolo usado.
Efeitos colaterais ou toxicidade
Os efeitos colaterais são reações que ocorrem no organismo em resposta à ação dos medicamentos nas células. As células mais afetadas são as da medula óssea (anemia, dimimuição da imunidade), mucosa gastrointestinal (diarreia, feridas na boca ou mucosite, náuseas e vômitos) e folículo piloso (queda de cabelo).

Exames de sangue

Durante o tratamento quimioterápico, os exames de sangue mais frequentes realizados são: Hemograma com plaquetas, uréia, creatinina, funções hepática e renal, os quais podem variar de acordo com o tipo de protocolo utilizado.
A cada tratamento, é necessário aguardar alguns dias para recuperação da imunidade e da medula óssea. Porém existem casos em que é necessário utilizar medicamentos que ajudem a recuperar a contagem das células brancas ou leucócitos (Filgrastima) e células vermelhas ou glóbulos vermelhos (Eritropoetina).

Novos tratamentos oncológicos

O avanço da oncologia é baseado nos resultados dos estudos clínicos e pesquisa clínica. Os novos agentes quimioterápicos, as novas modalidades de radioterapia e as novas técnicas cirúrgicas são desenvolvidas com o intuito de aumentar a eficácia e diminuir a toxicidade dos tratamentos.
O tratamento oncológico completo deve ser realizado através de um time multidisciplinar, com oncologista clínico, cirurgião oncológico, nutricionista, psicólogo, enfermeiro, radioterapeuta, fisioterapeuta, dentista. O tratamento mais moderno utilizado atualmente é a chamada Terapia-alvo.

O que é Terapia-alvo?

Terapia-alvo é uma modalidade de tratamento oncológico onde são usados medicações ou drogas com foco em um local específico (alvo) no crescimento e desenvolvimento de células tumorais. Os alvos são moléculas ou pequenas partículas presentes nas células tumorais ou no espaço que as circunda, os quais desempenham uma função importante na formação e no desenvolvimento do câncer.

Tipos ou Classes de Terapia-alvo

1) Inibidores da Angiogênese: Avastin – usado principalmente para tratamento de câncer de Intestino
2 ) Inibidores do Proteosoma: Velcade – usado principalmente para tratamento de Mieloma múltiplo
3) Terapia-alvo: Mabthera – usado principalmente para tratamento de linfomas
4) Inibidores do receptor da tirosina Kinase: Herceptin, Iressa, Tarceva e Erbitux
Existem vários tipos de receptores de tirosina Kinase no corpo humano. Os mais estudados em oncologia são os da família HER (humanepidermal receptor): HER 1 (ou EGFR – epidermalgrowthfactor receptor), HER 2 (ErbB2 ou HER2/neu), HER3 (ErbB3) e HER4 (ErbB4).
O receptor da tirosina Kinase é uma estrutura molecular da célula que se liga a substâncias como hormônios, antígenos, drogas ou neurotransmissores. Através dessa ligação uma série de reações químicas ocorrem na célula e podem resultar em multiplicação celular, morte, e/ou migração celular, proporcionando o crescimento e disseminação do tumor. Com o bloqueio do receptor da tirosina Kinase, pode-se evitar essa reação química e, portanto, diminuir as chances de crescimento e sobrevivência do tumor.
Inibidores do EGFR – HER1: Iressa (geftinib) e Tarceva (erlotinib) – usado principalmente para o tratamento do câncer de pulmão. Erbitux (cetuximab) – usado principalmente para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço e de tumores colorretais.
Inibidores do HER2: Herceptin (Transtuzumab) – usado para o tratamento do câncer de mama que apresenta HER2 positivo.
Inibidores do HER2 E HER1: Lapatinib – usado para o tratamento do câncer de mama.
5) Modificadores da resposta biológica: medicações que auxiliam o sistema imunológico na defesa contra as células tumorais: Interferon, Interleucina, Eritropoetina, Filgrastima, Talidomida, Lenalidomida.
Tipos de tratamentos oncológicos
Existem basicamente dois tipos de tratamentos: locais (cirurgia e radioterapia) e os sistêmicos (quimioterapia, hormonioterapia, imunoterapia e terapias-alvo). Podem ser utilizados de forma isolada ou combinada, dependendo do tipo de câncer e do estadiamento do mesmo (local do tumor).
Cirurgia – é uma operação com o objetivo de retirar o tumor.
Radioterapia – é uma irradiação da área do corpo onde está localizado o tumor. Tem como objetivo o bloqueio da divisão celular e consequentemente morte das células tumorais usando raios ionizantes.
Quimioterapia – é a utilização de medicamentos injetáveis ou orais para o tratamento do câncer. Trata-se de um tratamento sistêmico, ou seja, atua em todo o corpo. Dessa maneira pode alcançar e matar as células que porventura tenham se espalhado. Há diversos tipos de medicações que variam na sua composição química, na forma, sequência e intervalos em que são administradas e nos seus efeitos adversos ou toxicidade.
Hormonioterapia – hormônios são substâncias produzidas por glândulas. Atuam de forma a impedir a produção de hormônio ou impedindo a célula de câncer de usá-lo. A aplicação é feita por vias oral e injetável. Podem ser utilizados em alguns tipos câncer como mama, próstata e endométrio.
Imunoterapia – esse tipo de tratamento utiliza uma parte do sistema imune contra as células do Câncer. É chamado de Terapia Biológica. Existem dois tipos:
• Ativa – estimula o próprio sistema imune do organismo a lutar contra o câncer. Exemplo são as vacinas, como a do Papiloma-vírus, que podem prevenir o câncer do colo uterino.
• Passiva – utiliza componentes imunes, criados em laboratório, que tem como principal exemplo os anticorpos monoclonais.
Anticorpos monoclonais – anticorpos são proteínas usadas pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranhos como bactérias, vírus ou células tumorais. Um anticorpo reconhece um alvo específico, o antígeno, presente nas células estranhas ao organismo. São drogas que se caracterizam por reconhecerem melhor a célula tumoral, diminuindo assim os efeitos indesejáveis do tratamento.

Os anticorpos monoclonais podem ser administrados em pacientes com alguns tipos de câncer de cólon, pulmão, mama, linfomas, e outros. Em geral, é realizado em combinação com a quimioterapia.
Exemplo: trastuzumab (Herceptin) é um anticorpo monoclonal que bloqueia especificamente a ação do gene HER-2. A superprodução do HER- 2 contribui para o crescimento desordenado da célula (que é uma característica dos tumores malignos). A cada cinco mulheres portadoras de câncer de mama, estima-se que uma é HER-2 positiva.
Bifosfonatos – são usados com o objetivo de tratar a dor óssea e fortalecer os ossos, evitar fraturas e retirar excesso de cálcio do sangue. Exemplos são o pamidronato e zoledronato ou ácido zoledrônico.